Tem gente que não vê a hora de se aposentar para dar o chute inicial em um novo projeto de vida — o sonhado plano B. E há quem, apesar da baixa na carteira profissional, nem pensa em ficar na reserva. Para todos, a boa notícia é: deixar para pendurar as chuteiras mais tarde posterga a perda de memória. O estímulo para continuar pegando no batente veio de um estudo do Instituto de Psiquiatria do King’s College London, na Inglaterra.
Depois de analisar os dados de 1 320 pessoas com demência senil, os pesquisadores constataram que, mais do que o nível de educação e o tipo de trabalho, aqueles que suaram a camisa por períodos mais longos demoraram igualmente mais para apresentar os primeiros sintomas da doença. A cada ano extra de serviço, a investigação apurou seis meses de lambuja das lembranças.
As habilidades mentais exigidas para resolver as encrencas e desafios do dia a dia de uma corporação, por exemplo, ajudam a malhar o cérebro. “Como toda atividade intelectual, isso provoca maior oxigenação dos circuitos neurais, produção e liberação de neurotransmissores. E ativa as sinapses, local de contato entre os neurônios, reduzindo o risco de morte dessas células”, explica Wagner Gattaz, presidente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
É verdade que quem trabalha por mais tempo são as pessoas que se sentem melhor. “Daí vem a boa pergunta: é o trabalho que conserva a saúde ou a saúde que sustenta a força de trabalho?”, questiona Paulo Caramelli, neurologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais. Os estudos precisam se aprofundar para encontrar a resposta. Seja ela qual for, a ordem é prosseguir com o jogo. Mesmo que em um ritmo mais leve, até porque prazer também é fundamental. E melhor ainda: uma das novidades na prevenção do Alzheimer defendida no último Icad (International Conference on Alzheimer’s Disease), o grande congresso sobre o tema, que aconteceu em julho, em Viena, capital austríaca, foi a possibilidade de o trabalho retardar os sintomas dessa degeneração neurológica mesmo que a gente só se atente para isso aos 50 anos.
Fonte:saude.abril.com.br
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